Imbituba | SC
Projeto protocolado em:
23 de novembro de 2021
Licenciamento
Salvamento Do Sítio Arqueológico SC-ARI-I
Programa De Gestão Do Patrimônio Arqueológico Na Área De Implantação Do Loteamento Mirante Da Baleia – Salvamento Do Sítio Arqueológico Aldeia Ribanceira I, Município De Imbituba-SC
Nº do processo junto ao IPHAN:
01510.000206/2021-85
Portaria:
Nº 11, De 7 De Janeiro De 2022
Arqueólogo(a):
Me. Alexandro Demathé
Contratante:
Sparta Empreendimentos Imobiliários LTDA.
Apoio institucional:
Núcleo de Estudos Etnoarqueológicos e Arqueológicos do Centro de Memória do Oeste de Santa Catarina – CEOM - UNOCHAPECÓ
O sítio arqueológico Tupiguarani Aldeia Ribanceira I, localiza-se no município de Imbituba, litoral sul de Santa Catarina. Foi mapeado pela equipe da Sapienza Arqueologia durante o levantamento prospectivo na área destinada ao empreendimento Loteamento Mirante da Baleia, no ano de 2021.
O salvamento arqueológico ocorreu entre os meses de janeiro e fevereiro de 2022. Situado em patamar geomorfológico de planície litorânea apresenta contexto de implantação diferenciado com camada arqueológica que variaram entre 0,60 e 2 metros de profundidade, incomum para sítios pré-coloniais relacionados a esse grupo.
A abertura das trincheiras e unidades de escavação distribuídas nas Áreas 1, 2, 3 e 4 do sítio revelaram uma estratigrafia marcada por manchas escurecidas por queima, que a princípio se cogitava serem quatro, porém, com a abertura das unidades de escavação se aferiu que as manchas se uniam, com nuances escuras e claras, indicando proximidade (maior ou menor) ao local de queima abrangendo juntas uma área de 1846,57 m². Os dados apontam para duas grandes manchas com diversos focos de queima. A primeira denominada Mancha 1 abrange a Área 1 de escavação localizada na porção oeste da área do sítio arqueológico, e a segunda denominada Mancha 2 envolve as Áreas 2, 3 e 4 de escavação, compreendendo três grandes concentrações com estruturas de combustão localizada na porção central e leste do sítio.
As datações procedentes das amostras de carvão coletadas nas áreas de escavação indicaram que a distribuição espacial e temporal do sítio pesquisado se integra aos dados de implantação de sítios Tupiguarani nessa paisagem, com datas entre 802+-40 A.P e 404+-40 AP. As datas de radiocarbono para a Mancha 2 se apresentaram relativamente próximas umas das outras (404+-40 e 502+-40 A.P), se mostrando mais recente do que a data disponível para a Mancha 1 (802+-40 A.P).
Diante desses dados aliados a elementos tipológicos do sítio arqueológico se avalia que a ocupação da Mancha 1 ocorreu por um grupo anterior ao que ocupou a Mancha 2, portanto, considera-se que não houve convivência entre esses dois grupos, uma vez que a amostra datada na Mancha 1 indicou ser mais antiga do que as duas amostras datadas na Mancha 2, proporcionando uma disparidade temporal de aproximadamente 300 anos A.P.
Em laboratório os materiais arqueológicos coletados foram higienizados e analisados conforme sua natureza e metodologia proposta em projeto. Entre os elementos identificados no salvamento merecem destaques os seguintes artefatos: (i.) anzol - confeccionado em osso, (ii.) lâmina de machado e enxó– confeccionado em rocha, e o (iii.). – vasilha de tamanho grande confeccionada em argila, identificada entre 1,90 m e 2,20 m de profundidade, além de uma quantidade expressiva de fragmentos de afiadores líticos, pequenas lascas e peças cerâmicas de diversos tamanhos, que muitas vezes estavam associadas às estruturas de combustão.





























