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Santa Catarina

SC

Botuverá

Região:
Sul
Área do território:
Mesorregião:
Vale do Itajaí
População (censo de 2022):
Microrregião:
Blumenau
Região imediata:
Brusque
Região intermediária:
Blumenau
296.256
5363
  1. CONTEXTO ETNO-HISTÓRICO

Botuverá é uma palavra derivada da língua tupi-guarani que significa “Bons Brilhantes”. O nome Botuverá foi originado em decorrência da existência de vários minérios no município, principalmente o ouro, que já foi um minério muito extraído, e uma das principais atividades econômicas de Botuverá. Há também outros significados que também têm relação com a formação geológica com rochas magmáticas, metamórficas e sedimentares constituídas de minérios. Os vales e montanhas caracterizam o relevo e justificam o nome de “Montanhas Brilhantes” cobertas por verdes matas garantindo um ar puro. O município possui atualmente 4.468 habitantes distribuídos em uma área de 290,188 quilômetros quadrados. A principal atividade econômica do município é baseada na agricultura principalmente o cultivo de fumo, com a venda da folha para indústria. Na região também se destaca a agricultura familiar de subsistência, com cultivo de milho, café, arroz sequeiro, aipim, cana-de-açúcar entre outras culturas (IBGE, 2018).

A criação de gado proporciona a produção de leite, queijo e demais derivados. E a criação de aves para a produção de ovos e abate. Uma cultura muito importante que ainda persiste principalmente para os agricultores da localidade de Lageado Alto e Baixo, trazida pelos antepassados que vieram da Itália, é a vinicultura, onde predomina o modo artesanal. A produção de queijo ou queijinho, pela maioria dos agricultores, também se destaca no Município, muito apreciado na região, principalmente na cidade de Brusque (DIAS & OLIVEIRA, 2005).

Durante muito tempo a extração de madeira foi uma das principais atividades econômicas da cidade. Após a queda na extração do ouro, houve um crescente interesse pela extração de madeiras nativas.

Atualmente Botuverá possui grande importância turística voltada principalmente para o turismo rural, valorizando a paisagem que integra a água e a floresta de forma harmoniosa. O rio que banha Botuverá é o Rio Itajaí-Mirim. Os lagos, massa de água permanente retidas em uma depressão do terreno com dimensões relativamente pequenas e sem comunicação com o mar, não existem no município. Contudo, existem cascatas, um percurso vertiginoso da água de um rio, cuja corrente desce por rochas, compondo quedas d’água que compõe a paisagem e torna-se um atrativo turístico (DIAS & OLIVEIRA, 2005).

A cavernas também são outros atrativos turísticos que fazem parte da feliz combinação da natureza. As cavidades naturais formadas por processos tectônicos, que se constituem de um acondicionamento geográfico de interesse científico e também um recurso de paisagem de interesse turístico. A formação das cavernas de Botuverá tem origem no fundo do mar. O pacote rochoso que compõe a caverna atualmente já esteve no fundo de um mar quente, com água em torno dos 22ºC e com muitos moluscos, cuja casca deu origem ao que os mineradores extraem da montanha (DIAS & OLIVEIRA, 2005).

O parque municipal das grutas de Botuverá está localizado a oeste do município entre as localidades de Ribeirão do Ouro e Ribeirão do Sete, distante a aproximadamente 26 quilômetros da área central, sendo que 16 quilômetros são compostos de chão batido. A preservação dessas áreas quando amparadas por legislação específica, poderão ser asseguradas, salvaguardando-as de impactos que poderão mudar suas condições naturais. Os Parques nacionais se constituem atualmente da unidade mais completa de conservação que conseguiu se estruturar por seus elementos naturais baseados na fauna e flora. A institucionalização destas áreas tem sido uma iniciativa das distintas nações, no sentido de conservar, preservar e proteger a natureza da sua forma original (DIAS & OLIVEIRA, 2005).

O amparo legal municipal para Botuverá veio a instaurar a partir de 1998, juntamente com o Fundo nacional do Meio Ambiente, assessorada pelo grupo de Estudos Açunguí (Instituto voltada a proteção de cavidades naturais), o Parque das Grutas de Botuverá, criado pela Lei Municipal n°. 820/99, passou a ter a implantação do Plano de Manejo do Patrimônio Espeleológico (DIAS & OLIVEIRA, 2005).

O atual município de Botuverá é fruto do processo de ocupação do interior de Santa Catarina no século XIX, quando imigrantes europeus principalmente alemães e italianos, juntamente com eslavos em menor escala fixaram-se na região situada acima do Rio Itajaí-Açú e Itajaí-Mirim. Nessa época a Europa encontrava-se em um cenário de guerras, crises sociais e econômicas, o que provocou a emigração de italianos, principalmente da região norte, para o sul e sudeste do Brasil. Fatores como a miséria, o desemprego, a propaganda enganosa das agências de imigração, também motivaram muitos italianos a deixarem sua pátria e partirem em busca de novas oportunidades de adquirirem suas terras e delas retirar o seu sustento (PREFEITURA MUNICIPAL DE BOTUVERÁ, 2020).

A partir da segunda metade do ano de 1875 começaram a ingressar no Estado de Santa Catarina as primeiras levas de imigrantes trentinos e italianos do norte da Itália (BERRI, 1993).

Chegando ao Brasil, os imigrantes italianos receberam autorização para ocuparem as colônias. Quando chegaram à Colônia de Brusque, foram barrados pela falta de terras boas para a agricultura, pois grande parte das áreas nessa região já se encontrava ocupadas pelos imigrantes alemães que chegaram primeiro à região sul de Santa Catarina (PREFEITURA MUNICIPAL DE BOTUVERÁ, 2020).

Os imigrantes que chegaram ao Porto de Itajaí seguiram até Brusque e se alojaram em barracas e barracões na localidade, hoje, conhecida como Águas Claras. Em seguida, com o uso de canoas e balsas improvisadas, subiram o Rio Itajaí-Mirim, chegando aos primeiros pontos de habitação a que denominaram “Porto Franco”, atual Botuverá. Porém, não há fontes seguras dos nomes dos primeiros imigrantes de Porto Franco. De acordo com informações dos mais antigos (descendentes diretos), foi possível confirmar que entre os pioneiros vieram às famílias, Bósio, Bonomini, Pedrini, Molinari, Tirloni, Aloni, Gianesini, Betinelli, Raimondi, Rampelotti, Dognini, Morelli, Tomio, Maestri e Comandolli, num total de 33 famílias ((PREFEITURA MUNICIPAL DE BOTUVERÁ, 2020).

Após fixarem-se em Porto Franco, os colonos deram início a construção de seus novos lares e sítios. Inicialmente houve um grande desbravamento das terras para começar as atividades agrícolas e criações de animais domésticos. Foram construídos estabelecimentos de troca e venda, e igreja. Contudo, essas terras destinadas aos colonos tinham características peculiares as suas atividades de agricultura e pecuária, erram terras montanhosas distantes da colônia sede no caso Brusque, que era o mercado consumidor e fornecedor do grupo de imigrantes. Por esse fator, muitos colonos ficaram com sua produção reduzida e baseada em um sistema de subsistência, com pouco progresso de econômico (PREFEITURA MUNICIPAL DE BOTUVERÁ, 2020).

 

Processo de Emancipação

 

A emancipação político-administrativa de Botuverá iniciou no dia 14 de fevereiro de 1925, o Superintendente Municipal João Schaefer sanciona a lei n. 26 que cria no Município de Brusque, o Distrito de Paz de Porto Franco com limites entre o Ribeirão das Águas Negras e a cabeceira do rio Itajaí-Mirim. A sede foi elevada à categoria de Vila pela Lei Estadual n. 86 de 31/03/1938. Ainda em 1925, o Distrito de Paz, de Porto Franco, recém instalado, recebeu em 24 de julho, a visita do Cônsul da Itália Cav. Caetano Vechietti. Em 7 de novembro de 1926, realizou-se as eleições para Superintende Municipal de Brusque, e para Juízes de Paz. No distrito de Porto Franco foi eleito para Juiz de Paz o Sr. João Morelli (PREFEITURA MUNICIPAL DE BOTUVERÁ, 2020).

Em 1945, Porto Franco foi elevado à categoria de Distrito e como primeiro Intendente Distrital foi nomeado o senhor Adão Bonomini, que permaneceu no cargo até 1952. Quem assumiu como novo Intendente foi Augusto Ângelo Maestri, que governou a intendência até maio de 1962 (PREFEITURA MUNICIPAL DE BOTUVERÁ, 2020).

Em 28 de abril de 1962, a Câmara Municipal de Brusque, sob a presidência de João Batista Martins, sancionou a Resolução de Nº 238, que criava os municípios de Botuverá e Guabiruba, desmembrados do território do município de Brusque (PREFEITURA MUNICIPAL DE BOTUVERÁ, 2020).

Em 07 de maio de 1962, a Assembleia Legislativa do Estado de Santa Catarina, através da Lei Nº 821, homologou a criação dos Municípios de Botuverá e Guabiruba (PREFEITURA MUNICIPAL DE BOTUVERÁ, 2020). Em 09 de junho de 1962, foi instalado oficialmente o Município de Botuverá, data oficial da emancipação política e administrativa do mesmo. Nesta data assumiu provisoriamente como prefeito, Zeno Belli, até ser eleito um prefeito efetivo, o que aconteceu em 03 de outubro de 1962 (PREFEITURA MUNICIPAL DE BOTUVERÁ, 2020). O Deputado João Estivalet Pires Presidente da Assembleia Legislativa do Estado de Santa Catarina, de conformidade com o disposto no § 3º do art. 28 e art. 29 da Constituição do Estado, faz saber que a Assembleia Legislativa decretou e eu promulgo a seguinte Lei:

 

Art. 1º Ficam criados, de conformidade com a Resolução n º 238, de 28 de abril de 1962, da Câmara Municipal de Brusque, os Municípios de Guabiruba e Botuverá, desmembrados do Município de Brusque.
Art. 2º – O Município de Botuverá constituir-se-á de Distrito único, obedecendo os limites que constarão da presente Lei.
Art. 3º – O Município de Botuverá constituir-se-á de Distrito único, formado pelo atual. Distrito do mesmo nome e parte do Distrito de Brusque, obedecendo os limites que constarão da presente Lei.
Art. 4º – A sede do Município de Guabiruba será a localidade do mesmo nome, que passará à categoria de cidade e, a sede do Município de Botuverá, será a vila do mesmo nome que, passará a categoria de cidade.
Art. 5º – Os novos Municípios não terão responsabilidade nenhuma quanto a dívida do Município do qual se desmembram.

Assim ficou estipulado o território de Botuverá: segue pela margem direita do Rio Itajaí-Mirim, sobe até a foz do Ribeirão de Águas Negras; segue pela foz deste no Rio Itajaí-Mirim, pôr uma linha seca até encontrar e divisor das Águas do Ribeirões das Águas Cristalinas e Lajeado Grande; segue pelo mesmo divisor até encontrar a Serra do Itajaí na divisa com o Município do Blumenau (PREFEITURA MUNICIPAL DE BOTUVERÁ, 2020).



  1. REFERÊNCIAS

BROCHADO, José Proenza. MONTICELLI, Gislene. Estudos Ibero-Americanos. PUCRS, v.XX, n.2,p. 107/118, dezembro, 1994.


BERRI, Aléssio. Imigrantes italianos, criadores de riquezas. Blumenau: Fundação Casa Dr. Blumenau, 1993.


CHAUÍ, Marilena. Política cultural, cultura política e patrimônio histórico. 37-46. In: O direito à memória: patrimônio histórico e cidadania. São Paulo: Departamento de Patrimônio Histórico, 1992.


DIAS, Sônia Maria Kohler. OLIVEIRA Josidete Pereira de. O potencial turístico do município de Botuverá - SC: uma análise da infra-estrutura urbana e da paisagem. Turismo - Visão e Ação - vol. 7 - n.1 p. 93 - 124 jan. / abr. 2005.


IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Botuverá Santa Catarina - SC: Histórico. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE. 2018. Acesso em 21/03/2018. Disponível em: https://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/dtbs/santacatarina/botuvera.pdf


LIMA, T. A.; FONSECA, M. P. R. da; SAMPAIO, A. C. de O.; FENZLNEPOMUCENO, A. & MARTINS, A. H. D. A tralha doméstica em meados do século XIX: reflexos da emergência da pequena burguesia do Rio de Janeiro. Dédalo, S. Paulo, pub. avulsa, 7:205-230, 1989.


PREFEITURA MUNICIPAL DE BOTUVERÁ. 2020. História. Disponível em: http://www.botuvera.sc.gov.br/historia-do-municipio/#:~:text=Em%2007%20de%20maio%20de,pol%C3%ADtica%20e%20administrativa%20do%20mesmo.


RIBEIRO, Pedro Augusto Mentz. A Tradição Umbu no sul do Brasil. Revista do CEPA. Santa Cruz do Sul: Livraria e Editora da UNISC, v. 17, n. 20, p.129-152, 1990.


SANTA CATARINA. Atlas de Santa Catarina. Florianópolis: Gaplan, 1986.

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