Pará
PA
Marabá
Região:
Norte
Área do território:
Mesorregião:
Sudeste Paraense
População (censo de 2022):
Microrregião:
Marabá
Região imediata:
Marabá
Região intermediária:
Marabá
15127.872
266533


CONTEXTO ETNO-HISTÓRICO
Marabá foi intensamente habitada por grupos indígenas que ocuparam toda a margem do Rio Tocantins até o final do século XIX. Porém, essas tribos foram praticamente dizimadas, restando poucas na região (MATTOS, 2013).
O processo de dizimação começou ainda no século XVI, seguindo até o século XVII. O primeiro momento dos avanços sobre as terras indígenas foi quando chegaram de barco os primeiros homens brancos, oriundos de Belém e Cametá. Vieram em busca de mão de obra para trabalhar nas lavouras na região de Belém. Todavia, essa mão de obra certamente não seria adquirida através da contratação de indígenas, mas através da escravização. A escravização dos índios fez com que tribos fossem dizimadas, pois os índios não tinham resistência imunológica contra as doenças trazidas pelos homens brancos. Além do mais, muitos que eram escravizados não resistiam. O segundo momento da invasão das terras indígenas ocorreu no início do século XX, com a exploração da castanha-do-pará e a descoberta do caucho, que é uma das espécies vegetais produtoras do látex (MATTOS, 2013).
A violência contra as tribos na região de Marabá ocorreu em vários momentos históricos, considerados como ciclos econômicos, em que o interesse por matéria prima e mão de obra escrava fez com que muitas fossem extintas (MATTOS, 2013).
Os grupos indígenas sobreviventes encontram-se atualmente nas proximidades do município de Marabá e são conhecidos como os povos Suruí ou Aikewara; Gavião; Parakanã; e Xikrin do Cateté, (MATTOS, 2013). São do tronco linguístico Tupi e Macro-Jê, conforme se pode observar abaixo, no mapa readaptado de Nimuendajú (1944).

Povo Suruí ou Aikewara
Suruí foi o nome dado pelo homem branco, mas os índios se autodenominam Aikewava, que em Tupi-guarani significa “nós”. Relato etnográfico desse povo foi realizado pelo pesquisador Frances Henri Coudreau em 1892 (MATTOS, 2013).
No ano de 1923 o Frei Antonio Sala avistou um grupo dos Aikewara próximo à cachoeira de Santa Isabel no Rio Araguaia. Foi nessa época que se teve os primeiros registros de conflitos diretos entre o homem branco e o indígena. Há relatos de que, ao saírem para caçar na mata, os índios avistavam os animais domésticos dos brancos e os matavam, o que provocou o conflito entre eles e os agricultores (MATTOS, 2013).
No final da década de 1960, Frei Gil, um dos defensores da cultura Aikewara conseguiu, através de um decreto presidencial, a interdição da área indígena utilizada por agricultores vindos de Goiás, Maranhão e demais Estados do nordeste do Brasil. Na década de 1970, os Aikewara foram organizados pelo movimento militar contra a Guerrilha do Araguaia, sendo alguns índios forçados a trabalhar como guias do Exército (MATTOS, 2013).
A aldeia Aikewara atualmente é composta de cerca de 300 habitantes, que vivem da atividade agrícola, principalmente do plantio de mandioca e seu beneficiamento. Residem na área indígena Sororó, ás margens da BR-153, abrangendo áreas dos municípios de São Geraldo e São Domingos do Araguaia, no Estado do Pará (MATTOS, 2013).
Povo Gavião
Gavião foi uma denominação dada pelos homens brancos. Esse povo pertence a três subgrupos distintos que se autodenominam Parkatêjê, Kyikatêjê e Akrãtikatêjê, todos pertencentes ao tronco linguístico Macro-Jê do Norte (MATTOS, 2013).
Os Parkatêjê passaram a ter contato com o homem branco a partir de 1920, por conta do interesse econômico da castanha, produzida na região do Rio Tocantins. Entre os anos de 1949 e 1950, os índios enfrentaram os castanheiros, que invadiram suas terras. Co isso, se iniciou uma luta constante entre indígenas e castanheiros, causando o extermínio em massa dos índios (MATTOS, 2013). As aldeias dos Parkatêjê são constituídas de casas de alvenaria distribuídas em círculo. A expressão cultural desse grupo resume-se a danças e cantos tradicionais. Atualmente eles também utilizam a tecnologia, e fazem uso de televisões, computadores e filmadoras. Praticam esportes como o futebol e organizam jogos de flechas e corridas de tora de madeira (MATTOS, 2013).
Os Kyikatêjê habitavam a região de Igarapé dos Frades e foi convencido por funcionários da FUNAI a mudarem para a Reserva Mãe Maria. Na década de 1920, os Kyikatêjê se afastam dos Parkatêjê por motivos de guerra e quando chegaram à reserva formaram uma aldeia separada dos Parkatêjê, denominada Ladeira Vermelha (MATTOS, 2013).
Finalmente, os Akrãtikatêjê, habitavam as regiões mais altasda região, entretanto, na década de 1970, com a construção da Hidrelétrica de Tucuruí, foi expulso de suas terras e assentados na área indígena Mãe Maria (MATTOS, 2013).
Como cada um dos subgrupos vivia em reservas diferentes, o contato com o homem branco e as sucessivas ameaças de invasões às tribos ocasionaram o deslocamento deles para áreas da reserva indígena Mãe Maria, nas imediações do município de Marabá (MATTOS, 2013).
Mesmo ocupando a mesma reserva, cada subgrupo reuniu-se em aldeias individuais. Algumas associações mantiveram os subgrupos unidos e os auxiliaram a manter a sua cultura. São elas: Associação do Povo Indígena Krikatêjê-Amtáti (APIKA); Associação Indígena Parkatêjê Amijip Tár Kaxuwa (AIPATAK); Associação Indígena Te Mempapytá-rkate Akrãtikateje da Montanha (AITMAM) (MATTOS, 2013).
Povo Parakanã ou Awaeté
O povo Parakanã pertence à família Tupi-Guarani e situam-se entre os rios Xingu e Tocantins. O grupo se autodenomina Awaeté, que significa “gente de verdade” (MATTOS, 2013).
Os primeiros homens brancos a entrar em contato com esse povo teve início na década de 1920, com a construção da Estrada de Ferro Tocantins. Nesse período os conflitos foram intensos, deixando muitos índios mortos. Na década de 1970 a abertura da Rodovia Transamazônica e a construção da Hidrelétrica de Tucuruí promoveu o contato com os funcionários da FUNAI, que entravam em negociação com os índios que viviam isoladamente (MATTOS, 2013).
Atualmente os Parakanã vivem em uma terra indígena demarcada com 351 mil hectares, dividida em cinco aldeias (MATTOS, 2013).
O povo Xikrin do Cateté
O povo Xikrin do Cateté pertence ao grupo Kaiapó, utilizam a língua desse mesmo grupo (MATTOS, 2013).
A localização desse grupo na região compreende as proximidades dos afluentes do Rio Itacaiúnas e áreas de mata com abundância de árvores de mogno e castanheiras (MATTOS, 2013).
O contato com o homem branco teve início com a exploração do caucho e da castanha-do-pará. Antes do contato, os Xikrin do Cateté ocupavam uma extensa área dispersa no sul do Pará. Porém, com os conflitos e massacre de 180 índios na década de 1930, fizeram com que os indígenas mudassem para os arredores do Rio Bacajá e cabeceiras do Rio Itacaiúnas. Logo os índios foram novamente perseguidos, por haver castanhas nessa área, sendo obrigados a retornar para regiões próximas ao Rio Cateté (MATTOS, 2013).
A partir da década de 1970 as terras dos Xikrin foram invadidas por madeireiros, mas como a área já estava demarcada judicialmente, os invasores foram retirados (MATTOS, 2013).
REFERÊNCIAS
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